sábado, 9 de maio de 2009

Poesias - Dia das Mães - Dia dos Pais

MÃE

Mãe, quanto tempo faz que não a vejo!
viva
Gostaria de lhe dar um beijo
Ainda vejo a sua imagem
Ainda sinto sua presença
Ainda sinto saudade

Mãe, ainda lembro aquele dia,
Quando chegou o aviso
Abri a porta
E o tio disse que você estava morta
Fiquei tão triste

Perdi os sentidos
Achei que também morreria
Caí no sofá
Pensei que o mundo fosse acabar

Quando percebi
Estava na beira da pia
Precisava de água fria
Era muita agonia

Que solidão
No meio de tanta gente
Arrancaram meu coração
Como se arranca um dente

Era como se o mundo tivesse
Perdido o brilho,
Perdido a cor
O sabor

Como se não existisse mais sol
Nem estrelas
Era muito triste a idéia
De jamais poder vê-la

Mãe, acho que não era a hora
De você ir embora
Tinha tanta gente
E você ganhou tanto presente


Tinha sido o dia das mães


Eu tinha só dez anos
Ainda era pequena
Era carente
Você estava sempre doente

Eu tinha muito medo desse momento
Achei que não suportaria
Daria tudo para não ter este sentimento
Por isso a tristeza sempre me invadia

Quando você passava mal
Eu chorava
Você ia para o hospital
E meu coração se espedaçava

Mãe, minha estrela-guia...
Se apagou
O mundo se desmoronou

Eu não estava lá na hora
Eu tinha ido embora
Mas você deixou,
Apesar de que sempre me amou

Disseram que era só mais um parto
Mas eu não sabia
Que daquele quarto
Você não voltaria

Mãe, era muita gente.
Não dava para dar atenção
Seu jeitinho inteligente
Ensinou-nos oração

Mãe, você foi, mas sua alma ficou...
Cuidamos dos nossos filhos.
Igualzinho nos cuidou

Mãe a roda do tempo girou
Mas eu não a perdi.
Quero vê-la no céu
Ou no paraíso
Não a esqueci
Quero ver o seu sorriso
Quando também estiver aí

Quero que me reconheça
Quero que me dê a mão
Quero que também não me esqueça
Quero de volta o seu coração

Vou rezar numa capela
Para que Deus a torne
A estrela mais bela

Quero contemplar
Seus olhos cor de mel
Tão meigo e sereno
Como a ternura do céu

Mãe você é inspiração
É Minha poesia
Vive no meu coração
E me lembra o quanto sorria
Mesmo quando sofria


Aqui ficaram saudades
Aqui ficaram os sonhos
Aqui ficaram as fotos
Aqui ficaram as flores
Aqui ficaram as marcas
Dos seus grandes amores


Mãe, esta é uma história sem fim.
De geração em geração
Ficam marcas do seu coração
E tudo o que ensinou pra mim

Mãe, o mundo nunca perderá o brilho...
O brilho da sua existência
Pois ele fica em seus filhos
E em toda sua descendência


Pai

Pai, “encosta a sua cabecinha no meu ombro e chora”
Foi esta a canção que você cantou
O dia em que foi embora

Antes daquele dia
O quanto que nós brincamos!
Eu corria e corria
Você olhava do lado
Sorria e sorria
Estava muito cansado

Seu coração arrojado
Manchado de tantas tensões
Foi ficando enfraquecido
Por difíceis provações

Perdeu a primeira flor
Do seu querido Jardim
Quem cuidaria dos brotos
Dos seus quatro belos jasmins?

Encantou-se com a beleza
De uma nova florzinha
Ela era com certeza
A sua princesinha

O jardim se encheu de flor
Flores de todas idades
Mas todos cheios de amor
Sentindo muitas saudades

Um dia de muita dor
Uma espada atravessou
O seu forte coração
Foi um golpe tão estúpido
Daquele malvado peão

Um filho de vinte anos
Tombou sem vida
Em seus braços
Mais uma flor se foi
E ficou vazio o espaço




Passaram-se muitos anos
De tristeza e aflição
Quando podia esquecer
Embalava-se em canção

Na varanda espaçosa
Um pomar
Muitas mangueiras
Distraídos todos olham
No portão as trepadeiras

Vai subindo o caminhão
A colheita acabou
O danado carregado
Na subida se engasgou

Quando a chuva vem chegando
Tudo fica complicado
O café está molhando
E precisa de encerado

Pai, esse dia...
É alegria
É muita satisfação
Trabalhou o ano inteiro
Prá nos dar educação

O tempo passa, a vida passa...
Muita coisa aconteceu
Muitas graças de Deus
E também dificuldades
Com o passar do tempo
E o aumento da idade

Mais uma triste aflição
Uma pequena florzinha
Que tanto pra você sorria
Ficou com pneumonia
Nos braços da mãe querida
Perdeu lentamente a vida

Mais um momento sofrido
Mais um espaço vazio
No seu querido jardim florido





Uma doce menina
Chamada Jucelina
Encerrou sua missão
Ainda tão pequenina
Parou o seu coração

Pai, mais uma vez você foi forte.

Precisou sair da Terra
Onde nasceu
E viveu
Era um recanto tão feliz
Que sem você se entristeceu

Levantou a cabeça
Pediu a Deus proteção
Juntou toda sua família
E deu adeus àquele chão

Muitas vezes o vi triste
Mas às vezes era engraçado
Brincamos de namorado
Penteei seus cabelos de lado
Fiz cabelo de mocinho
Era muito divertido
Às vezes até fazia carinho

Quando estava bem nervoso
Dava medo
Mesmo assim eu atentava
Assim você esquecia seu segredo
E logo se alegrava

Seus problemas eram segredos
Pra não dar preocupação
Seu jardim era guardado
Protegido por sua mão

Mas o dia em que a princesa
Não voltou do hospital
Olhei em seus olhos a tristeza
Você quase passou mal

Chegou na sala sem fala
Seus lábios nada diziam
Apenas dos olhos saíam
Lágrimas de muita agonia

Engolia a saliva
Não saía a sua voz
Queria dizer está viva
No meio de todos nós


Saíram da boca as palavras
Que tinha para dizer:
“Não há mais nada a fazer”.

“Está tudo consumado”.
“Agora tudo acabou”.
“Não tenho mais ao meu lado”.
“Aquela que me ajudou...”.


“Cultivar os meus jasmins”.
“E todo o meu jardim”.

Pai, seu jardim ficou falhado...
Muitos vazios nos canteiros
Mas pior foi prá suas flores
Ficar sem o jardineiro

Mais uma flor foi colhida
Mais uma falha no canteiro
Desta vez minha querida
Foi o próprio jardineiro

Esta história não tem fim
E nós continuamos com a fé
Deus colheu um jasmim
O seu nome era José

O tempo passou, passou
E as flores sempre a se amar
De repente Deus levou
Esta flor em alto mar

Oh meu Deus que arrepio
Mais uma flor foi colhida
Tanta gente em um navio
E Deus quis a sua vida


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